Game publishers brasileiros – parte I

Os desenvolvedores de games brasileiros têm que enfrentar um jogo pela sobrevivência. Em um cenário onde os investidores são poucos, onde existem poucas oportunidades para a formação de novas equipes, falhas na rede de distribuição, três dos maiores publishers do país abrem o jogo, e contam como sobreviver e vencer nesta área.

Não temos uma indústria de games e sim pequenas equipes formadas por amigos que se juntaram para formar suas respectivas empresas com um objetivo em comum, criar games. Para ajudar a traçar um mapa sobre os desafios e estratégias deste mercado no Brasil, entrevistamos alguns dos pioneiros desta investida, como Marcos Cuzziol, da Perceptum, Augusto Bulow, da Espaço Informática, e Wagner Carvalho, da Green Land Studios.

Apesar da indústria de desenvolvimento de jogos ser muito modesta aqui no Brasil, para Augusto Bulow ela está no caminho certo, A indústria brasileira de desenvolvimento de jogos está evoluindo, e cada vez mais os jogos desenvolvidos por aqui começam a ser mais bem visto no exterior.Quando se pensa em desenvolver um jogo, tem que se ter ciência da concorrência internacional, e para que o jogo tenha algum sucesso, ele necessariamente precisa ter uma qualidade que consiga competir com títulos desenvolvidos em outras partes do mundo. Se o jogo tem esta qualidade, ele é bem aceito por distribuidores no exterior, não importando se ele foi feito no interior do Rio Grande do Sul, ou se foi feito na capital dos EUA.

Para Wagner Carvalho, a vantagem que temos comparado ao mercado no exterior, é que nosso custo de produção é baixo. O Brasil leva a vantagem de ter custos de produção muito menores, empresas como a Continuum conseguiram levar o Outlive para o mercado internacional com um custo de desenvolvimento muito menor do que lá fora. Esperamos que esse seja o fator que no futuro leve investidores internacionais a investir em empresas nacionais.

Marcos Cuzziol alerta: Há muito espaço para a criação de novos games. Um erro compreensível das empresas que estão começando é tentar repetir alguma história de sucesso – um novo Half-Life, um novo Black & White, por exemplo. Além de o desenvolvimento de games como esses ser caro e demorado, eles têm um mercado restrito, composto principalmente pelos hardcore gamers.

O produto nacional precisa ter visibilidade no exterior, pois só assim conseguem respeitabilidade e investimento para projetos futuros. Para Augusto Bulow este é o principal problema. O que falta no Brasil, é a figura do investidor, um Publisher que não apenas publique jogos prontos, mas que invista em novas idéias, em novos projetos. Os distribuidores nacionais vão pelo caminho mais simples, só aceitam jogos depois de prontos, e daí decidem se vão publicar ou não. Isto faz com que empresas como a nossa busquem parcerias internacionais que tem uma visão mais ampla. Empresas que sabem que um bom jogo vende, e apostam em idéias bem elaboradas, e acabam tendo um bom retorno após a conclusão do jogo.

Marcos Cuzziol reconhece as mesmas dificuldades: Em termos de know-how, tecnologia e custos de produção, temos sim condição de disputar de igual para igual com os desenvolvedores internacionais. Mas é quase impossível sustentar uma empresa de desenvolvimento de games no Brasil. Acho que o que todos nós, desenvolvedores brasileiros, esperamos é colocar alguns bons títulos no mercado internacional, usar os royalties recebidos para custear aquele velho projeto favorito e, aí sim, competir de igual para igual, lá e aqui.

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Published: fevereiro 4th, 2007 at 18:13
Categories: Itau Cultural - Games
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