Cheguem mais! Bem-vindos aos prósperos estúdios de R.Crumb!
Essa semana achei um site interessante. O Amazon Comics, que apesar do nome, não tem absolutamente nenhum vínculo com o maior site de e.commerce da internet. Diria até que ruma em outra direção…
Eu estava googando à procura de novidades sobre um dos meus artístas favoritos, Robert Crumb, quando achei esse site. [Para quem não conhece R.Crumb, a dica é ir direto para o site da Fatagraphics Books, que mantém uma seção biográfica sobre seus artistas, que além do próprio Robert Crumb, estão Joe sacco, Daniel Clowes, Kaz e Peter Bagge.
Cheguei lá clicando em um link para a página do “Minha Vida”, a obra autobiográfica de R.Crumb também lançada no Brasil pela Conrad Editora. A princípio parecia mais um blog especializado em Graphic Novels. O próprio endereço já te induzia a esse pensamento: http://amazoncomics.blogspot.com/2009/10/hq-minha-vida-robert-crumb.html. O BlogSpot.com é um nick da Blogger, que é uma empresa que teve seus direitos comprados aqui no Brasil pelas Organizações Globo: Blogger.globo.com.
Só que a diferença deste blog para os outros blogs especializados, é que logo ao lado da sinópse há um botão “download”, que te possibilita baixar a versão digital do trabalho do artísta. A Amazon Comics é tão especializada em Graphic Novels, que alguns dos livros que estão lá são formatados com as extensões *.cbz e *.cbr, de “Comic Book Archive file” e “Comic Book Reader file”, respectivamente.
Estes formatos são para fechamento de arquivos das editoras especializadas que, em fase de finalização das peças, enviam as peças fechadas nos formatos acima, geralmente para revisão ou impressão. Para conseguir ler arquivos como esse é preciso instalar um Comic Reader, como o CDisplayEx, da Progdigy, por exemplo.
O Amazon Comics está em português e tem trabalhos de diversos artistas, como o Angeli, Laerte, Moebius, Frank Miller e até raridades, como o Fradinho, do Henfil. E todos com links para baixar as cópias. E impressionantemente o site ainda conta com seguidores e anúncios pagos pelo Google.
Esta semana (26/01), o guitarrista do Radiohead, Ed O’Obrien, declarou à imprensa que não acredita que a pirataria esteja matando a música. Segundo a nota no site da Kiss FM, rádio de São Paulo, Ed O’Obrien disse que não concorda “quando as pessoas dizem que a pirataria está matando a indústria da música. A pirataria pode não pagar por um álbum, mas as pessoas gastam dinheiro em ingressos para turnê, camisetas e coisas do gênero”.
Palavras de um dos integrantes da banda que rompeu seu contrato com a EMI, para oferecer a chance de escolha para sua comunidade de fãs: decidir quanto pagariam pelo download de seu último álbum, “The Rainbows”. Ainda com o adicional de que todas as faixas não estavam com proteção para cópia. O resultado foi que a banda nunca faturou tanto com venda de álbuns em sua trajetória.
Uma das coisas interessantes ditas por O’Brien foi sobre a questão de convergência digital: “Estamos falando de um negócio analógico numa era digital. Modelo de negócio tem que mudar. Precisamos vender a música na internet, colocar mais sites para disponibilizar isso. E temos que fazê-lo de forma mais barata para que possamos competir com os softwares de download”.
E enquanto o negócio não se digitaliza… Baixei minha cópia do “Minha Vida”, de Robert Crumb, e (apesar de ter sentido falta de um tablet como o Ipad ou Kindle), tive o prazer de uma boa leitura gratuita de um dos meus artistas favoritos. Fiquei tão satisfeito que entrei no site da Fatagraphics Books e comprei algumas camisetas…
Afinal, como disse o próprio R.Crumb em um trecho do “Minha Vida… ”Cheguem mais! Bem-vindos aos prósperos estúdios de R.Crumb! Este é o meu escritório particular… Bem classudo, hein? he, he, he…”
Não são os artistas que se prejudicam com isso.
; )

This work, unless otherwise expressly stated, is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Brazil License.
Categories: atuais
Tags: graphic novels, pirataria, radiohead, robert crumb

